
Tente isso em casa: desligue todas as luzes, o ar-condicionado, lavadora, secadora e outros dispositivos. Desconecte o refrigerador. Então, vá lá fora e olhe o medidor de eletricidade. Ele continua girando, não é?
Agora, ligue a caixa set-top, o HDTV, o sistema surround, o TiVo, DVD player e o Xbox ou o PlayStation. Coloque o computador e monitor para funcionar também. E observe o medidor funcionar em um ritmo mais elevado.
Enquanto dispositivos tradicionais, tais como refrigerador e ar-condicionado, deram passos em eficiência de energia nos últimos anos, a central de entretenimento doméstico, como o computador desktop e acessórios digitais, transformaram-se nos novos 'comedores' de energia, devorando watts quando tudo está ligado e continuando a refeição quando os aparelhos estão desligados.
"A moderna central de entretenimento doméstico, com uma televisão de alta definição e todos acessórios, pode gastar tanta eletricidade quanto dois refrigeradores", afirma Noah Horowitz do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (Natural Resources Defense Council - NRDC). Hoje, os eletrônicos representam a menor quantia dos gastos de uma casa em eletricidade. No entanto, seu consumo vem crescendo em uma taxa que poderia criar a necessidade de novas plantas de energia e soluções para a poluição, segundo Horowitz.
Em uma casa, a energia gasta por eletrônicos quando eles parecem estar desligados é conhecido como 'energia gotejante', ou 'carga fantasma'. Todo dispositivo que pode ser ligado com controle remoto está consumindo eletricidade, esperando no modo standby por um sinal. Os aparelhos que têm relógio, tais como microondas ou cable box, estão adicionando 'carga fantasma'.
As caixas set-top e gravadores digitais de vídeo são os principais responsáveis por esse gasto, diz Horowitz. O ato de desligar alguns desses aparelhos simplesmente apaga o display de LED (diodos emissores de luzes) e deixa todo o resto funcionando.
Uma outra fonte vem de alguns carregadores para dispositivos portáteis e transformadores AC, os grandes pacotes de energia, chamados algumas vezes de 'nós de parede'. Ponha sua mão na fonte de energia por um cabo de modem ou um carregador de telefone celular quando está ligado, mas não em uso. Se estiver frio, provavelmente, é um modelo mais novo e eficiente. Se estiver morno, você está desperdiçando eletricidade. Alguns modelos mais antigos aumentam em até 25% a energia total enquanto não estão ligados.
De acordo com o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, há diversos fatores por trás do crescente apetite dos TVs por eletricidade: os televisores estão ficando maiores e, assim, requerem mais energia elétrica; o número de aparelhos em uma casa continua aumentando; alem disso, as pessoas ficam mais tempo na frente das telinhas, assistindo a DVDs e jogando videogame. E, adicionado a tudo isso, polegada por polegada, os HDTVs consomem mais energia que os modelos de definição padrão.
Os consumidores que consideram o fator consumo de energia antes de comprar um TV estão sem sorte. Isso porque os fabricantes podem projetar HDTVs que manipulam mais de 1 milhão pixels multicoloridos em até 60 vezes um segundo, mas não concordam com uma maneira de testar a energia usada pelos novos modelos de displays. Com isso, os consumidores e vendedores têm dificuldade de encontrar esse tipo de informação.
Por isso, o NRDC, a partir de uma pesquisa independente, relatou que não há tecnologia claramente eficiente. Alguns plasmas consomem bem mais energia que as tecnologias concorrentes. Nos testes, um plasma de 50 polegadas usou 451 watts, quando um modelo de 42 polegadas de um outro fabricante gastou 257. Um TV DLP de 50" consumiu 156 watts, quando outra usou 193. Um CRT digital de 32" devora 100 watts, um análogico de 36", 87 watts. "O plasma tem a reputação de ser o porco da energia da família, mas há alguns modelos novos que consomem 25% menos", diz Horowitz. Nesse caso, segundo o analista, a falta da informação dos consumidores lhes custa dinheiro.
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